Parece que foi ontem (o primeiro VJ brasileiro)

17 11 2009

Não sei se começo pelo Kraftwerk, Rush, o teatro de sombras chinês, Coldcut ou Lumière. O passado tem muitas referências. Não conheço todas elas, apenas uma parte. Talvez a questão não seja quem fez o quê, mas quem fez, e conseguiu deixar sua marca.

A projeção de imagens entrou na vida dos brasileiros, de maneira irreversível, por volta de 2002. Obviamente antes disso já existia o vídeo, a interação, os telões, os projetores, e o VJing. Mas independente da nossa percepção temporal, 2002 foi um ano de acontecimentos importantes, uns sonhos de um mundo melhor, outros de fama, fortuna e dominação universal. Desde então, dois anos foram o bastante para fazer fama. O resto dos sonhos será batalha.

No Brasil, na virada deste milênio, o Vjing era um mistério para o público (que é diferente de povo, que é diferente de população), acostumado a ver telões em festas passando clipes toscos ou a programação de algum canal de TV. Hoje, isso pode ser considerado vergonhoso, principalmente para uma casa noturna de responsa ou uma festa irada. Melhor um VJ bom do que o DVD da Sade rolando durante seis horas.

Apesar do desconhecimento da população sobre o Vjing, entre 1998 e 2001as experiências começaram a ser mais constantes. Segundo o VJ Jodele, foram contemporâneas às gringas, talvez inspiradas por elas. O pessoal do vídeo sempre foi muito antenado, por isso conseguiram trazer as novidades rapidamente para cá. A única diferença é que para nós o desenvolvimento é lento, já que aqui a tecnologia é três vezes mais cara, dependendo da variação do dólar.

Em 2002 o VJ Palumbo (que antes de ser Visual Joquei é um artista plástico internacionalmente conhecido) já tinha feito aquela rave na Amazônia, a Ecosystem 1.0. O coletivo Embolex (composto por Fernão, Oswaldo e Christian, ainda com o VJ Duva) e o VJ Spetto tinham começado suas experiências em casas noturnas de São Paulo, usando televisores e até o próprio monitor do computador. O VJ ALexis tinha projetado em raves como a Megavonts, o carioca Bruno de Carvalho na Bunker (RJ), e o VJ carioca Jodele, tinha produzido festas com imagem ao vivo, usando várias câmeras. Essas experiências foram simultâneas, mas antes disso, ícones das artes plásticas e da videoarte já faziam apresentações com vídeo ao vivo.

No meio da década de noventa, lá estava o artista plástico internacional Palumbo, fazendo vídeo performances para a banda PUS, que é da mesma época que o Okotô. Nos shows, enquanto rolava aquela mistura de rock com tecno, ele pintava quadros, projetava imagens e ainda produzia a banda. Em 2002 ele teve a felicidade de participar e apresentar-se no AVIT, festival de VJs que aconteceu Leeds, Reino Unido. Palumbo talvez tenha sido o primeiro brasileiro a apresentar-se no exterior com o rótulo “VJ”. Poucos já foram para fora. Em 2003 o Bijari apresentou-se na Bienal de Arte em Cuba e o VJ SPetto produziu um vídeo para a turnê do Marky, no verão europeu de 2003. Agora quem vai para a Espanha é o coletivo Embolex.

O festival AVIT (Audio Visualize It), fundado em 2002, foi criado pelo pessoal do VJCentral.com, comunidade internacional de VJs na internet, para estimular a troca de idéias e experiências entre os vídeo-joqueis. Ele envolve diversos tipos de eventos como conferências, exibições e cúpulas. Desde sua criação, o AVIT espalhou-se por diversos países como Alemanha, EUA e Holanda.

Voltando mais um pouco no tempo, no Brasil, no meio dos anos setenta, muitos videoartistas (não só brasileiros), tinham essa coisa ligada à performance. Quando a multimídia foi incorporada às artes do vídeo, começaram experiências loucas. Uma delas culminou na primeira performance de VJ do Brasil (na linha do que se está chamando de VJ hoje), feita pelo videoartista Roberto Aguilar. De acordo com Christine Mello, pesquisadora de artemídia, professora da ECA(USP) e curadora-adjunta do Núcleo de Net Arte da 25ª Bienal de São Paulo, ele apresentou uma de suas criações na casa noturna Dancing Days (SP), em 1980. Aguilar voltaria a apresentar-se em 1981, no Paulicéia Desvairada (SP), com seu grupo Banda Performática, que tinha Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Dequinha e Go.

A videoarte deixou sua marca no VJing, assim como o fez a cultura digital. Nada mal caminhar entre a videoarte e a imagem ao vivo, como no caso do coletivo mineiro Feitoamaos (formado por André Amparo, André Melo, Chico de Paula, Cláudio Santos, Deborah D. C. Silva, Lucas Bambozzi, Marcelo Braga, Ronaldo Gino e Rodrigo Minelli) e do VJ paulista Luiz Duva, um dos oragnizadores e idealizadores do Live Images – segundo ele, a pista é uma “instalação sensorial gigante”.

O que se chama de “cena” de VJs (aqueles caras que vão na balada e projetam), começa a se fortalecer no Brasil depois dos ecos do Live Images, evento aconteceu em São Paulo (SP), em setembro de 2002. O evento, organizado por Luiz Duva, Fabiana Prado e Tatiana Lohmann, foi a primeira mostra de VJs realizada no Brasil. Participaram do Live Images os VJs e coletivos Jodele, Spetto, Embolex, Duva, Bijari, Lucas Marguti, Raimo, Alexis, Feitoamãos e Palumbo.
No início de 2003, o Festival Eletronika de Novas Tendências Musicais (Belo Horizonte), reuniu as diversas possibilidades do Vjing e levou os video-joqueis para debater, fazer videoarte e festa. Além de apresentar nomes nacionais como Palumbo, Bijari, Feitoamãos, Spetto e Duva, trouxe nomes internacionais como AGF e Laub (Alemanha), além da banda Rubin Steiner, que conta com um VJ como integrante, “tocando” imagens.

No mesmo ano, no Rio de Janeiro, aconteceu o Versus, que propôs uma “batalha” de VJS contra DJs, e apresentou nomes cariocas como Noramusique, Guti, BUM, AzOia Lab (coletivo do qual Jodele faz parte), e ainda trouxe o VJ Spetto de São Paulo e o VJ Robson Victor do Mato Grosso.

A imagem ao vivo aos poucos foi entrando na cena. Diversos eventos deram sua contribuição, como as festas do Embolex em São Paulo, o Imagens Sonoras na Bahia, a Semana de Artes Visuais do Recife… Teve VJ até no Festival de Verão de Salvador, que aconteceu este ano.

Enquanto surgem mais VJs e grupos multimídia em São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Espírito Santo, Recife, Salvador e Porto Alegre, percebe-se que há, nos melhores trabalhos, uma identidade, estética própria ou linguagem particular. O resto fica pras próximas.

Creditos: http://www.rraurl.com

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